Sherlock. Millenium trilogy. Depeche Mode. Tears for Fears. Phil Collins. Strokes. Joy Division. Elton John. Coldplay. The Killers. Foals. Los Hermanos. Yann Tiersen. The Kooks. Snow Patrol. P!ATD. Radiohead. Tegan and Sara. and +.
Gosto da sensação que esse barulho me traz agora. Nem música, nem vozes… apenas os barulhos da cidade mesclados, que neste momento não me confundem, apenas acabo não prestando atenção em nada. Não pode haver maldade em caminhar sozinha por uma cidade tão bonita quanto esta. Teria mais sentido eu ter um destino, mas atravessar as ruas e assistir a criação civilizada me liberta do desespero do tédio. Mais bonito ainda é quando as luzes se acendem e tudo o que se vê são pontinhos amarelos e vermelhos no mar urbano.
Não há vazio no meu coração. Aliás, ele está devidamente consolado pela leveza de minha mente. Absorvo somente a maravilhosa experiência de sentir-me sozinha – e em paz – em meio ao vaivém de gente. Nem um amor, nem um amigo: tudo o que me pertence e me basta sou eu mesma. Enquanto os metros distantes de casa vão ficando para trás, vago na direção oposta para um “sei lá onde”, um objetivo inexistente. Sinto meu rosto não expressar sentimento algum. Mas qual seria então? Nenhum, oras. Definições profundas não me convém agora.
Sei que o acaso é cruel, mas gosto de pensar que estou a salvo de todos os males. Sei também que meu corpo vai se cansar e logo mais necessitarei de abrigo. No entanto, por mais que meu tempo sendo indiferente aos problemas esteja ficando curto, continuo andando e vendo mais do mesmo que sempre vejo. Uma repetição num contexto um pouco diferente da minha rotina. Mal sei há quanto tempo estou andando, mas a noite anuncia que devo me preocupar em voltar para casa. Isso me ocorreu enquanto atravessava uma das avenidas mais movimentadas do centro da cidade. As coisas são tão automáticas… o semáforo dita a vez para todo mundo. Automática também tornei-me, porém sou humana e quebro minha própria regra dando meia volta e decidindo voltar a pé mesmo.
Faço o mesmo trajeto, no mesmo lado da rua e vendo praticamente a mesma paisagem, menos pelas pessoas que, – ao contrário de mim – estão com um pouco de pressa e cansaço. “Foi bom”, disse meu cérebro. Insignificante, isso sim define meu passeio. A rotina não é ruim, evitei apenas aumentar os problemas em minha mente e deixei-os temporariamente no ar da cidade, impregnados nas luzes amarelas e vermelhas. Talvez a quebra da mesmice tenha se dado quando eu não esperei nada de ninguém – nem de mim mesma – fazendo isso. Despretensiosamente também ajeito-me em meu quarto e durmo. Durmo levitando e sem pensar muito. Sonho então fazendo coisas que me colocariam no risco da decepção e preocupação futuras. Amanhã o dia será um sonho, de novo.
Meu coração já não é mais meu. Como não entregá-lo? Como não ser sincera diante de suas doces palavras? Faça-me acreditar que as coisas estão bem… deixe-as realmente bem, meu amor. Por favor. Pois forças nesse peito destroçado não há mais. Dê-me esperanças… evite dizer coisas que me deixam mal. Pois meu amor… faço de tudo para deixá-lo feliz. Tudo o que minha criatividade permite, tudo o que há de mais belo em mim. Por favor…
Mexer com as emoções das pessoas. O que isso realmente significa para você? Ser subjetivo, audacioso, rápido, mas ao mesmo tempo apaixonante. Esses adjetivos dizem muita coisa por si só.
Nesse devaneio, eu fico aqui, enamorando-me com as palavras. Como é possível gritar – sem fazer barulho – mas ser ouvido; como é possível fazer chorar sem nenhuma imagem; como é possível sussurrar e provocar arrepios, mesmo estando longe de seu interlocutor? Ah… palavras queridas. Deixem-me extrair seu perfume, provar seu potencial… Brincar com suas formas de ser entendidas. Além do mais, como é versátil essa língua-mãe. Como os gêneros combinam com o “estar”, e como os sinônimos namoram os verbos.
Oh, língua portuguesa querida. É tão bom tê-la sempre por perto. Inesquecíveis influências, daqui e acolá, foram fazendo seu corpo de jovem mulher elegante e encantadora. Complicada e por isso mesmo, apaixonante. Continuo a comparar-lhe a uma formosa jovem de cabelos negros e ondulados. Olhos verdes e pele embriagante. Com belos seios de admirável perfeição. De tão sabida inocência, porém de longo passado. Quão belíssima língua materna! Consigo casei-me, e para sempre serei apaixonada, delirante e demoradamente delicada; a entender todas as suas maravilhosas possibilidades.
16/01/2012.
Para mim, ter ciúme de um namorado ou namorada é a perfeita definição de egoísmo associado ao medo. “Fulana é minha”, “fulano tem dona” são frases que espera-se ouvir em referência a objetos, no máximo a um animalzinho de estimação. Mas tem gente que trata pessoas assim. Quando se ama tem-se — com toda a razão —, um medo desesperado de perder a pessoa em que se deposita aquele amor. E se essa pessoa não o amar mais? Mantê-la sob as correntes da fidelidade exibindo fraqueza e medo, definitivamente não adianta em nada. Deixe seu amor viver. Se for uma pessoa sensata e honesta, e mais ainda, com um amor sincero, não haverá motivos para traição. Do contrário, — sendo uma pessoa desonesta com um amor fraco — não vale a pena amar um ser humano assim e ainda ter esperanças de ser feliz.
Eu confesso que era exagerada no ciúme. Não podia ver minha namorada abraçando alguém que já sentia um medo enorme. “Ela é minha”, eu repetia “e de mais ninguém”. Até que um belo dia a vagabunda (quando ainda namorava comigo) beijou outra garota na minha frente. Senti um misto de raiva, angústia, tristeza, e principalmente incredulidade, mas não esbocei reação alguma. Eu poderia ter dado um soco nas duas, sim eu tive vontade. Também poderia ter feito um escândalo ou coisa parecida. Mas apenas me afastei e fui chorar longe. “Por quê???” era a minha cabeça girando e tentando encontrar sentido naquilo. Oras, a conclusão que cheguei mais tarde foi de que ela não merecia meu respeito. Eu continuei a gostar dela, mas agora havia aprendido que se a pessoa quer trair, ela trairá — na sua frente mesmo —, ou na pior das hipóteses, você nunca ficará sabendo.
“Quem ama cuida”, ouvi esses dias. Acho que a melhor maneira de cuidar desse amor é conhecendo a pessoa que se ama, e depositando confiança nela até um certo ponto. Deixar claro que você quer total sinceridade nunca é demais. Certos assuntos alguns casais têm como tabu. Fidelidade apenas se traduz em juras de amor eterno, e se esquecem da raiz da traição: falta de confiança e de respeito. Não conseguimos confiar cegamente em alguém, isso todo mundo sabe. Então por que depositar esperanças numa pessoa, sabendo que há possibilidade de decepção? Deixe seu amor viver, eu repito. Ele ou ela saberá como cuidar do seu coração se o escolheu para cuidar. Tenha calma e paciência, seu medo não fará o amor aumentar, nem ciúmes considerados “fofos”, eles ainda são insegurança, uma insegurança inútil que só faz sofrer.
(Ficou parecendo discurso de livro de autoajuda, né? Mas foi só uma tentativa de desabafo perante às irritantes manifestações de ciúmes na internet e também fora dela. Eu já me vacinei, e você? =D )
Não sou a melhor pessoa que você conheceu ou vá conhecer na sua vida. Nem a mais bonita, inteligente ou amável. Tampouco a que melhor o fará ver as belezas da vida; mas entrego-lhe meu coração. Por vezes posso deixá-lo mal por não saber lidar direito com isso, meu amor, mas este é todo meu valor; toda a vitalidade de um sentimento que abrange meu ser e faz com que essa minha existência seja mais feliz carregando lembranças boas no bolso. Não quero que seja perfeito, que não haja brigas ou que o silêncio seja algo ruim. Desejo, pelo contrário, que a monotonia fique longe, já que cair na rotina vem de um sentimento meio vivo, meio morto; e jamais encontrará isso em meu coração. Que altos e baixos, sorrisos, suspiros e lágrimas completem nosso peito, que mesmo longe, faz pulsar um carinho imenso por você.
Para: My Nonsense (♥)