Sherlock. Millenium trilogy. Depeche Mode. Tears for Fears. Phil Collins. Strokes. Joy Division. Elton John. Coldplay. The Killers. Foals. Los Hermanos. Yann Tiersen. The Kooks. Snow Patrol. P!ATD. Radiohead. Tegan and Sara. and +.Teremos uma ponte, viagem no tempo e uma menina assustada, correndo em busca de ajuda. Além disso, tenho ajustado os nomes — e sobrenomes — das personagens que farão (inicialmente) parte da trama. Outros personagens virão, mas por enquanto são 7.
Um resumo do livro incluiria situações comuns, por exemplo, como uma menina esconde-se de seus medos, mas não tem muitos recursos ou ajuda para livrar-se deles. Mistérios e um ar de terror são evidentemente, palavras-chave para começar qualquer livro de suspense.
O desenrolar da história mostra Jenny, a personagem principal, tendo que lutar com suas lembranças e localizar-se no meio de tanta confusão temporal e mental.
Meu primeiro livro… Quem diria… Até pouco tempo isso não passava de algo extremamente penoso e longe de meu alcance no momento. Mas com a influência de Agatha Christie, Edgar Allan Poe, Robert Louis Stevenson, Sir. Arthur Conan Doyle, e mais outros, estou aprendendo a desbravar as terras da escrita, e ficando fascinada com o que vejo.
Até mais o/
Nem as coisas que eu mais amo fazer nesse mundo, que é escrever e ler livros de História do Brasil, eu estou conseguindo fazer mais.
Meu livro (Sem sonhos nem navalhas) tá mais largado que bêbado na sarjeta.
Os livros que eu deveria ler estão mais abandonados que livro de matemática nas férias.
Mas eu ainda termino logo com essa poha de escola e vou-me embora pra praia. Absorver o silêncio e ter inspiração. Lá sim é um lugar muito bom de se escrever. Num finzinho de mundo desprezível que eu me encontro. É lá mesmo o meu lugar.
As palavras saem naturalmente. Elas escorrem no papel. Elas escorregam, caem e não sentem dor. Lá elas não choram, sempre estão livres, felizes. Mas quando eu estou aqui minha cabeça é sempre cheia demais. As palavras não encontram uma saída e ficam presas na minha cabeça. No papel elas não querem ir. Elas ficam na minha mente, mas logo tomam um trem e fogem. Fogem pra longe de mim, e não voltam mais.
Minha mãe estava ali para me ver acordar. A janela estava entre-aberta e eu demorei para me espreguiçar. Pensei comigo: “hoje é só mais um dia comum, estamos em abril ainda, não é?”. Peguei meus óculos na cômoda e dei um abraço apertado em minha mãe. Ela sorriu, mas não disse nada. Fui até o banheiro para lavar o rosto e escovar os dentes, mas as coisas estavam diferentes. Uma aparência de abandonada tinha a casa. Era como se muito tempo tivesse passado. Mas não deveria ser nada além de uma confusão mantinal. Lavei o rosto, mas a água da torneira tinha uma aparência horrível. O cheiro da água, sua cor, além de estar um tanto turva, era algo estranho.
Àquela altura das coisas, eu já estava ficando mais acordada e ciente de quão sinistros estavam os acontecimentos até ali. Não sei precisar se era minha imaginação ou não, mas eu quase poderia ouvir gemidos de dor vindos da cozinha. Eu definitivamente nunca fui uma pessoa de coragem, e não seria ali que isso mudaria. Engoli o nervosismo e desci as escadas, dando para a sala de estar. O cenário era medonho, aquilo não poderia ser a minha casa, a casa de ontem mesmo! Mas, quanto tempo se passara desde ONTEM? O que ocorrera ontem? Seria tudo um pesadelo? Eu tinha certeza de que não era. Continuei andando, vislumbrando o terror que pairava no ar.
Meu pai veio até mim, ele estava ótimo, com uma xícara de café na mão, veio para me abraçar. Mas que estranho, ele nunca fez isso: me abraçar logo de manhã. É, eu estava começando a morrer de medo de ficar trancada em casa. Nada estava normal. Acelerei meus passos e estava cada vez mais perto da porta principal. Mas, droga! Estava trancada. E agora? Eu gritei : “Mãe, a senhora poderia vir aqui em baixo?”. Pelas minhas contas se passaram dois minutos e nada. Era surreal demais para mim, o medo logo iria me fazer mal. Desmaiar sempre foi meu ponto fraco e eu temia fazê-lo ali. Eu sentia que corria sério perigo. Mas fugir como? Sim… Lembrei! A janela do meu quarto estava destrancada, e aberta!
Mal pisava no chão, já ia para o outro passo. Era a fuga mais medonha da minha vida, da vida que eu não lembrava de mais nada. Isso pouco tinha importância naquelas condições. Porém chegando lá, minha mãe ainda estava na posição de quem acaba de abraçar alguém… como tinha feito comigo. Olhei em seu rosto. Ela estava com uma expressão diabólica, olhos arregalados e um sorriso nada amigável. Não pensei duas vezes e pulei a janela. Acho até que luxei o tornozelo, mas a dor não era maior que o meu nervosismo. Juro que nunca corri tanto em minha vida, apesar de a paisagem lá fora também ter mudado. O que pude ver eram ruínas, algo como uma cidade assolada pela guerra. O que era tudo aquilo? Eu teria um colapso em breve, minha cabeça não conseguia ligar tantas informações estranhas.”
(Trecho do meu livro, “Sem sonhos nem navalhas”)
O quão lindo e frágil ele é…
Que sofre calado, apenas observa o mundo à sua volta tentando destruí-lo enquanto em seu peito só restam ruínas. Foram tempos que não vou mais esquecer, foram sorrisos que não voltam mais. Será que a única errada fui eu?
Me desculpe, naquela época eu não sabia que alguém tão forte assim era capaz de amar sem dizer, morrer aos poucos e não querer preocupar os outros.
Como eu pude ser tão estúpida? Mas o tempo é cruel, e acabou por machucar os dois. Eu, por ter me dado conta só depois, e você, por me assistir pisando em seu pobre coração.
Eram palavras difíceis de se dizer, era um sentimento estranho, sua voz que falhava, as lágrimas que sempre queriam cair, mas você era forte, e eu era um monstro. Um monstro que só pensava em mim mesma, não conseguia ver que do outro lado havia amor.
Como não amar aquela pessoa? Apesar de sua aparência rude, as poucas palavras e a negação de tudo, ali há um coração que agora está partido, um sentimento que renasceu como ódio, como uma mágoa dolorosa, um veneno que se alastrou além de você, não é?
Quantas noites eu dormi pensando em você? Em como desfazer o estrago de minha indiferença… Eu vi você chorar, eu vi você me olhar, eu vi você me ignorar. Tudo isso para não sofrer mais. Tudo isso para me mostrar que não precisava mais de mim. Eu sei, eu sei, mas agora ambos sofrem e o que fazer?
Talvez a frieza, a distância, a indiferença possam curar a dor, é uma triste maneira de esquecer o amor: transformando-o em ódio profundo. E agora eu que choro. Choro por perder você. Mas há uma saída: deixe seu coração na mão daquela que te ama de verdade, deixa que ela cuide dessa ferida tão incômoda, não se torne uma pessoa fria, se entregue à felicidade, não deixe alguém como eu machucar você de novo.
Apenas isso que peço: deixe alguém que merece cuidar do seu coração para sempre, ela fará de tudo para conseguir isso. Apenas desejo nunca mais vê-lo, para que o fogo não haja mais na ferida e que ambos sejamos felizes, um sem o outro.

(Declaração final de Jenny no livro “Sem sonhos nem navalhas”, de Melissa Zampronio)